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27 de Novembro de 2021
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    Empresa de mineração apresenta empreendimento a ser instalado em São José do Norte

    A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa gaúcha, presidida pelo deputado Adilson Troca (PSDB), acompanhou durante o período dos Assuntos Gerais da reunião ordinária desta quarta-feira (13) a apresentação feita pelo presidente da empresa Rio Grande Mineração (RGM), Luiz Augusto Bizzi, sobre o Projeto Retiro, a ser instalado em São José do Norte. O empreendimento fará a extração de minérios de zircônio e titânio. O objetivo é substituir as atuais importações de zirconita e rutilo, e tornar o Brasil um exportador de ilmenita.

    Ilmenita e rutilo são minerais de titânio, usados para a produção de pigmentos e de ligas especiais para área médica. A zirconita, também conhecida como zircão, é usada na indústria de cerâmicas e refratários e como aditivo em aços especiais.

    O empreendimento está em fase de estudos técnicos e licenciamento ambiental. De acordo com Luiz Bizzi, a expectativa é que a licença de operações seja concedida em setembro de 2017, e o início das operações se dê em novembro do mesmo ano. A área de lavra compreende 3 mil hectares, que deverão ser explorados em sistema itinerante por um período de 20 a 30 anos. A empresa prevê um investimento de R$ 800 milhões. Durante a construção da planta e demais instalações necessárias, a previsão é de gerar 1.500 empregos. Para a operação, serão 350 empregos diretos. “Vamos privilegiar a contratação de mão-de-obra local”, adiantou o presidente da empresa.

    Processo de produção e operação

    “O processo de produção foi pensado para gerar o menor impacto ambiental possível, usando em sua maior parte processos mecânicos e não químicos”, explicou Bizzi. A separação dos minérios da areia se dará por gravidade, de acordo com o peso, e a classificação dos minérios por sistema eletrostático (imã) - e não químicos. A única parte que envolve químicos, segundo ele, se dá na etapa de secagem do minério. “Mas o processo utilizado é o mesmo já utilizado na secagem da soja”, observou.

    Bizzi assegurou que não haverá produção de pigmentos no local. “O custo financeiro/energético de instalação desse tipo de produção no Brasil não é viável”. Ele lembrou que na década de 90 houve grande mobilização contra empreendimento então operado pela Paranapanema (que foi comprado pela RGM), que previa a instalação de uma planta de produção de pigmentos, cujo impacto ambiental foi questionado.

    Bizzi explicou que no sistema de lavra itinerante, lagos artificiais vão sendo construídos a cada trecho em exploração. Dragas móveis bombeiam 5% da areia para a planta de processamento. Os restantes 95% devem ser devolvidos de imediato e reconfigurados de acordo a topografia original. Em seguida, a vegetação nativa deve ser replantada sobre os cômoros. Todo o processo deve demorar 18 meses, quando a área poderá ser devolvida ao uso anterior.

    “Temos acordos com as universidades de Pelotas e Rio Grande, que no ajudaram na elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima). Com a Universidade de Pelotas temos um acordo para alocar recursos para instalação de um centro de desenvolvimento e pesquisa das culturas de cebola e pinus, que predominam na região”. Bizzi informou ainda que houve preocupação com a hidrogeologia do local e que o processo não deve afetar a salinidade da água.

    A planta de processamento dos minérios deve ficar instalada a 12 km da cidade. O processo de lavra deve iniciar pelo sul e avançar para o norte, retornando depois para o sul, ao longo dos 20 a 30 anos previstos. A empresa também tem operações no Uruguai, que poderão funcionar de forma integrada, com o minério sendo trazido de balsa até São José do Norte. A exportação da ilmenita deverá ser feita de navio, e a produção de zirconita deve seguir de caminhão para abastecer a indústria cerâmica de Santa Catarina.

    Bizzi informou que a RGM irá propor arrendamento a todos os proprietários atingidos pela operação. “Nosso interesse não é investir em imóveis, mas sim em mineração”, declarou. Ele explicou que o agricultor (superficiário) ou morador que tiver sua área afetada pela lavra tem direito a receber royalties de acordo com o tempo de operação e valor do minério obtido na propriedade.

    Presenças

    Participaram da reunião desta manhã os deputados Dr. Basegio (PDT), Ronaldo Santini (PTB), Pedro Westphalen (PP), Marisa Formolo, Luiz Fernando Mainardi (PT), Pedro Pereira (PSDB), Carlos Gomes (PRB) e Catarina Paladini (PSB). A apresentação da RGM também foi acompanhada pela secretária de Turismo e Promoções de São José

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