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14 de Dezembro de 2017
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    Ruas apoia entidades que pedem demissão do secretário de Segurança

    O deputado Pedro Ruas (Psol), participou, no fim da manhã desta sexta-feira (16) de uma caminhada em solidariedade aos despejados de forma violenta da ocupação Lanceiros Negros, que iniciou na frente da Ocupação Mirabal, na rua Duque de Caxias, ao lado do TRE - onde estão alojadas mulheres vítimas de violência e seus filhos -, evento que encerrou com ato na frente do Palácio Piratini, onde os manifestantes repudiaram os atos de violência e entregaram documento pedindo a demissão do Secretário de Segurança Pública Cezar Schirmer.

    O parlamentar, que desde a noite de quarta-feira (14) esteve em apoio aos moradores da ocupação e também ao deputado Jefferson Fernandes, presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, lamentou o ocorrido. "Essa tragédia vivida por essas pessoas que não têm nada, a não ser a vontade de ter um lugar para morar, me entristece e me revolta. Nunca vi nada igual. A violência empregada, o horário inadequado e um despacho da juíza Aline Santos Guaranha, da 7ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre que não especifica o que deveria ser feito. A senhora juíza decidiu que a desocupação poderia ser feita em qualquer dia, em horário de forma que se evitasse problemas no trânsito. Ora, o Judiciário pensa no trânsito e não nas crianças, nos bebês, nas grávidas, idosos e outras pessoas que não tinham pra onde ir? Que tempos estamos vivendo?", indagou o parlamentar ao destacar a atuação, conforme ele, nefasta da Procuradoria-Geral do Estado, que deveria cumprir a lei que exige a presença de representante do Conselho Tutelar em caso de crianças e, ainda mais, que preserva o horário noturno, justamente para dar condições aos expulsos.

    Pedro Ruas enfatizou que leu manifestações de repúdio até mesmo da Associação dos Juízes para a Democracia, na qual a entidade critica o comando da BM e repudia que se tenha dado preferência ao trânsito em detrimento das demandas sociais das tantas pessoas atingidas pela medida. “Resta ver de quem foi a preocupação com o trânsito e despreocupação com as pessoas. Foi da juíza, no caso do Poder Judiciário? Foi da BM, neste caso do Governo do Estado”? Temos que esclarecer tudo isso, porque também o Parlamento foi maculado, com a prisão do presidente da Comissão de Justiça e Direitos Humanos”, reforça Ruas.

    Ainda quanto à violência policial empregada, Pedro Ruas avaliou como mais um ato criminoso contra os pobres, negros e desvalidos. "Mas quando um cachorro me morde eu não mordo o cachorro. Processo o dono". Dessa forma o deputado Pedro Ruas esclareceu que o ocorrido é da alçada do Secretário de Segurança. "Mas o mentor dessa política chama-se José Ivo Sartori, de quem temos que cobrar. Ele que demita o secretário Schirmer", enfatizou.

    O grupo constituído por diversos movimentos, entidades sociais e sindicais (Comitê Estadual Contra a Tortura, Centro de Referência em Direitos Humanos, Ocupação Mirabal, Uampa, Simpa, Sintrajufe, Sindjus, ARI, Sindjors, OAB/RS, MLB -Movimento de Lutas nos Bairros, vilas e favelas, entre outros, além de vereadores, deputados estaduais e federais do Psol, PT e PCdoB) pretendiam entregar um documento pedindo a demissão de Cezar Schirmer. Foi negociado com a segurança externa do Palácio Piratini que entrariam os deputados algumas lideranças, sendo excluídos os representantes da imprensa, associações e de sindicatos.

    "Não houve audiência, uma pessoa do quarto escalão nos recebeu pois nem o governador, nem o chefe ou sub-chefe da Casa Civil estavam no palácio, como fomos informados. Nem mesmo os secretários que assessoram o governador estavam lá" , informou o deputado Pedro Ruas, após a entrega do pedido de demissão. “De qualquer forma, o documento foi entregue à essa pessoa que certamente entregará ao governador ", avaliou.

    A operação de despejo que foi marcada pela violência será o tema principal da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa na próxima quarta-feira (21.06), na sua reunião ordinária às 9h. Entendimento nesse sentido foi firmado durante a caminhada em apoio às famílias desalojadas do prédio da esquina da rua General Câmara.

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