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14 de Dezembro de 2018
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    O Rio Grande do Sul precisa do transporte hidroviário de passageiros

    Ao longo dos séculos, a humanidade desenvolveu-se através da navegação, o que tornou lendários povos como os fenícios, especialistas no que hoje seria chamado de um gênero de logística. Em tempos modernos, todas as nações desenvolvidas fazem uso da água, doce ou salgada, para os mais variados tipos de transporte, onde se incluem as pessoas e suas necessidades de deslocamento.

    Sempre achei que, em nosso estado, havia uma subutilização das vias navegáveis para o transporte de passageiros. Até porque a nossa história recente nos mostra que os muitos cursos de rios, lagoas, lagos foram as vias utilizadas para desbravar o nosso Rio Grande. Quando vereador da capital, fui autor da lei 6384/89, que criou o transporte coletivo de passageiros no Rio Guaíba, que só foi parcialmente utilizada quando do convênio com a cidade de Guaíba e a criação das linhas do Catamarã. No estado, criei a lei 14.951/16, exatamente com o mesmo objetivo, qual seja, a existência de um transporte hidroviários para passageiros, utilizando nossos rios e lagos como uma alternativa ao tradicional transporte por ônibus.

    Apesar das possibilidades legais, é inegável o descaso – ou má vontade – de nossos governantes com essa forma de transporte. Quando saímos do país, vemos que grandes ou pequenos rios são largamente utilizados para o transporte de pessoas ou mercadorias, o que torna menores e mais baratos diversos percursos, além da quase inexistência de acidentes e até de assaltos. Porque não podemos ter esse imenso potencial hídrico explorado com sustentabilidade? Porque nossos portos são abandonados, esquecidos, tendo que ser utilizados para outras finalidades que não a razão pela qual foram criados? Porque não podemos ter em Porto Alegre, por exemplo, vários pontos da cidade com embarque e desembarque de passageiros?

    Em uma linha reta, com alguns reparos de calado, uma embarcação adequada poderia percorrer o Rio Guaíba, a Lagoa dos Patos, a Lagoa Mirim, chegando ao vizinho Uruguai. E porque não fazemos isso? As respostas que recebo são vazias de conteúdo e mais escondem do que explicam. Penso que a força das empresas de ônibus, em qualquer esfera de atuação, supera a óbvia necessidade que temos de oferecer à sociedade uma nova alternativa de transporte coletivo de passageiros.

    * Deputado estadual

    © Agência de Notícias
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